sábado, 14 de abril de 2018

geografia dos ossos - completo na rede


ao mundo, a poema <3


dois anos após publicar esta micropolítica louca e vocal em doudas terras portuguesas (com edição primorosa de Nuno Moura, projeto gráfico de Joana Bagulho & capa + ilustrações de Hélder Ventura), eis que o livro finalmente encontra morada na casa que tem abrigado todos meus filhos-livros; minhas filhas-poemas (gracias siempre, Silvana Guimarães <3)

pra ler, para baixar e imprimir, pra mandar às favas, inteirinho e completo - 'geografia dos ossos', na Germina - Revista de Literatura e Arte:
http://www.germinaliteratura.com.br/2018/ninarizzigeografiadosossos.pdf

comentários, leituras, fotos e vídeos do lançamento, aqui: https://doudacorreriablog.wordpress.com/2016/02/24/geografia-dos-ossos-nina-rizzi/

segunda-feira, 9 de abril de 2018

autorretrato de priscila

olhame ainda se pareço jardim mino luas e esporas
olhame sem ruídos soy una hilda en la casade frieda azul amarela e de novo jardim
olhame ainda o fuzil dois olhos que lambe o cussaruim quando vê o caçador
olhame sem olhos o tato puro mármore sim é calor sim esse frio de digo não digo
olhame ainda menos fogo menos descalça menos cor menos úmida menos letra
olha um espelho

domingo, 18 de março de 2018

sortilégios pra matar o meu benzinho



 tenho uma escova de cerdas macias, como nuvem, como pixaim. agradáveis ao toque como meu corpo quando dói e a cai a água fria.

a escova guarda muito dos meus fios. toda sexta-feira junto-os todos, fazendo um grande cocoruto de pêlo algodoado.

sexta-feira é também o dia que o pai chega de viagem. é caminhoneiro e nunca escova os cabelos. gosta de se dizer o homem da família, ri bem alto demarcando sua existência na casa, em nossas vidas.

sento na beira da cama. o quarto não tem porta. da poltrona da sala me olha como me olham seus amigos quando aparecem para beber, como me olha o professor e o médico. o mecânico da bicicletaria e o padeiro.

aperto as pernas bem firmes e tento manter no rosto a suavidade de cada escovada. penteio até que o braço doa, até que o couro da cabeça doa.

uma escova cheia dos meus pêlos.

quando já é tarde da noite e a mãe deixou toda a louça limpa, chão limpo, carne curtindo nas bacias com banha, alho e sal, do jeito que o pai gosta, viro para dar boa noite, mãe.

o pai ronca alto e um cheiro acre de álcool envolve a asa pequena.
agora todos já dormem.

retiro um a um meus pêlos da escova, enrolo meu cocoruto. o maior que já fiz. o pai sempre diz que uma mulher com pêlos é uma mulher nojenta.

pego a lâmpada que escondi entre as calcinhas e a esmigalho firmemente, enquanto ouço na cabeça de choros abafados de mamãe, o som grave do punho do pai em suas costas e o engasgo profundo e seco.

esmigalho até que seja puro pó em minhas mãos que sangram, puríssimas.

arranco a carne da bacia e estraçalho um pedaço, recheando-a com meu cocoruto de pêlos e vidro moído.

recito baixinho as palavras mágicas de mamãe: só teremos paz quando ele morrer.
fecho a carne, como costurando a minha.
beijo o pedaço ensanguentado.

eu sou judas.
salomé.
me beija.
me come, papai.
*


[fiz esse texto  no laboratório de escrita criativa para mulheres (cis e trans), que aconteceu na caixa cultural em fortaleza, de 06 a 10 de março/2018. a imagem que  aqui ilustrada é a capa da zine que fizemos como culminância do curso; o título faz parte do caderno-goiabada (livro de prosa poética que publico ainda este ano pelo selo aliás) e usado num dos exercícios propostos.]

autorretrato de renata


se quase imóvel são os passos
tão ligeiros correm os olhos
sim e não fazem a minha mão

sereia no copo d´água
'com o oceano inteiro para nadar'
deslizo alucinada a boca cheia d'alga

o tudo e o nada          meus seios       céuinferno
jorram leite                 vazam cor       ardem poemas
como uma garrafa vazia         ~~~     inflamável

Tradução: Vicente Huidobro - Poemas Árticos e Equatorial


Vicente Huidobro

acaba de ser publicada a edição de primavera da revista portuguesa de artes, religiões e ciências TRIPLOV. a edição homenageia o poeta chileno Vicente Huidobro [mira: http://triplov.com/revistaTriplov/
]

dentre os diversos textos, escritos pelo poeta e sobre/ para o poeta, constam alguns poemas deu seu livro POEMAS ÁRTICOS, traduzidos por mim [aquí: http://triplov.com/revistaTriplov/poemas-articos/
]

a tradução é um projeto de publicação de suas obras completas em terras brasis, levado a cabo por mim e a Martelo Editorial, do aguerrido/querido Miguel Jubé, com apoio da Fundación Huidobro que me deu esta alegria y presente ❤️
as primeiras obras já aparecem no início do segundo semestre - "EQUATORIAL" e "POEMAS ÁRTICOS", em comemoração aos 100 anos da publicação de ambas.
e é isso, continuar a vida, pela beleza, contra o horror.
com as gratidões de sempre a Mario Meléndez Muñoz, Silvana Guimarães, Miguel Jubé é e claro, à poesia, esta insubmissa.


Helicóptero, Vicente Huidobro

Laboratório de Escrita Criativa para Muheres - Escola Estadual 02 de maio


Na última segunda, 12/03, tivemos uma edição especialíssima do Laboratório de escrita criativa com mulheres - cerca de 60 alunas do ensino médio da escola estadual 02 de maio, no Barroso/ Fortaleza. 
Só a história da escola já valia uma carta de amor: era uma instituição de detenção para menores. As mulheres do bairro, iniciaram uma luta nos anos 1980 para que essa instituição se tornasse uma escola; o nome da escola é alusivo à data quem que conseguiram o feito. Sim, uma luta de mulheres que tanto teve êxito que eu estive lá 💃🏿
A atividade foi a convite do Moita Brava, como parte de seu projeto sobre Consciência Negra: uma vez por mês eles comemoram/ relembram as lutas com alguma atividade, e a desse mês foi o laboratório de escrita criativa para as garotas.
Em uma tarde, valorizando a história e literatura de cada uma, fortalecemos vínculos e, claro, o amor à leitura e à escrita. Só mulheres fantásticas e escritura de peso! 🧜🏿‍♀️




Laboratório de Escrita Criativa para Mulheres - Caixa Cultural



Aconteceu na semana passada na Caixa Cultural em Fortaleza/ CE, mais uma edição do Laboratório de Escrita Criativa para Mulheres (cis e trans).

Com 20h de duração, o laboratório, espaço de experimentação de escrita, fundamentou-se na leitura de textos teóricos sobre diversas vertentes do feminismo, além de textos literários de gêneros variados (carta, relato, romance, contos, poemas), e discussões em grupo. A partir das leituras e discussões, foram sugeridos exercícios de escrita, onde cada participante escreveu textos variados em diversas linguagens. Ao final do curso, produzimos uma zine com alguns dos textos escritos no laboratório.





Coração y mente repletos. Conheci e fiz arte com mulheres maravilhosas! Que experiência extraordinária! ❤️

Cada vez mais plena a alegria de estar com as minhas pares e ímpares.
DEUSA, as mulheres são incríveis, são poemas, são fantásticas! 🧜🏿‍♀️

não, com mirtha dermisache. arte caligráfica a partir de exercício proposto

logo já ensaio e zine na rede!
y que venham breve as próximas :)

domingo, 4 de março de 2018

laura & beatriz

            work in progress pra adelaide ivánova

semana passada neymar fissurou o pé
e desfalcou o paris saint-germain
o jornal de ontem com a foto do craque
em tamanho natural na capa
cobria o corpo de laura & beatriz

laura & beatriz namoravam há três anos
estavam juntando dinheiro pra comprar
uma casinha só delas e nunca mais precisar
se esconder fora de casa

ontem, 5 homens estupraram
laura & beatriz perto do canal
semana passada a polícia matou
laura & beatriz quando disse
que a culpa era delas
há 3 meses os ex-maridos mataram
laura & beatriz quando as espancaram

ontem toda a gente matou laura & beatriz
quando filmavam a violência transformada
em cena pra upar no youtube em troca de likes

a vida inteira homens e juízes mataram
laura & beatriz


e vocês?

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

geografia dos ossos no LetrasPretas


"[...] Essa exposição não busca limitar as variadas formas de se perceber e receber a obra Geografia dos Ossos, mas apresentar nuances de um inquestionável e sólido trabalho literário. Essa obra não participa inconscientemente da engrenagem uniformizadora; ao invés disso, assume uma postura de resistência ao “fluxionismo” dos contrassensos comuns disseminados na sociedade. Rizzi não perfaz sua obra apenas por uma representação sociocultural: ela vai muito além disso, ao fazer uso de uma linguagem de dicção marcante e bem trabalhada, unindo habilmente forma ao conteúdo, o que delineia seu projeto como arte. [...]"
Yasmin Soares faz um ensaio incrível sobre meu livro transatlántico. O texto está no blogue LetrasPretas, projeto do professor Henrique Marques Samyn com alunes da UERJ. 
só amor, potência y poesia.



leia o texto completo AQUI!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

tambores pra n'zinga n'As vírgulas pelo caminho

Livro disponível para baixar. Clique para fazer o download! <3

"[...] a poesia de Nina retumba nesse livro, ritmíca e ritualística. A poeta aqui não é musa, é voz. É corpo atuante e substitui a lira, pelo batucar dos tambores.
Faz da poesia um ritual de passagem de um momento a outro, em que se percebe algo que antes não havia sido notado, e então o instante se faz poema. O instante pode ser na noite das ruas embriagadas, pode ser na pele dos amores (rizzíveis), pode ser um momento de silêncio, sozinha.

[...] A poesia de Nina me chegou de forma muito intrigante, digna de muitas releituras e escavação. Abrir o livro de Nina é escavar poesia com as unhas. Não é deleite. Não é contemplação. É deslocamento."

Nádia Camuça faz uma resenha massa sobre tambores pra n'zinga em seu blogue As vírgulas no caminho! Leia texto completo aqui!


sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

livros escritos por mulheres que inspiraram 2017, portal margens

saiu na portal Margens, capitaneada pela diva maravilhosa Jéssica Balbino uma lista de livros escritos por mulheres que inspiraram o ano que se finda, os livros foram indicados por mulheres que também estão marcando presença nas artes, nas mídias e em todo canto. quando vieres ver um banzo cor de fogo aparece lá. alegria pouca é bobagem <3

clique na imagem pra conferir!

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

15 livros incríveis lançados por mulheres em 2017 - AzMina!



viver me dá vontade de escrever.

'quando vieres ver um banzo cor de fogo' foi um livro que quis escrever. depois de muito tempo protelando sua materialização - não sua escritura.

quando comecei a publicar poemas, e ainda mais especificamente publicar em um blogue chamado 'putas resolutas' (com as divas Roberta Silva Pinto e Líria Porto), parecia muito natural para as pessoas (hello, guys!) me lerem "num puteiro em joão pessoao" aka. Ana Farrah Baunilha. mais que natural: há uma monografia sobre prostitutas que escrevem liricamente sobre suas experiências e nos citam. é só ir no oráculo-google.

e por causa das centenas de milhares de convites e abusos - virtuais, mas não só -, eu exitei muito em abrir as pernas e dar ao mundo essas poemas. que boba. ainda bem que passou, risos.

eu quis escrever este livro. um livro que tematiza o amor erótico em tempos sombrios. todos os tempos são sombrios, mas esses são loucos porque eu estou aqui. quis materializar neste tempo este livro que ama e goza. materializar-me a mim, escritura/ ferida funda e encarnada, me lançar ao mundo como uma mulher que deseja e ama sim. sim, escrevo. assim é a poesia toda: política.

e as poemas vem a mim. como um salto ao infinito, como abertura na carne que se não escrita dói. dói o corpo que se escreve a poema. me abro às poemas, a poesia inteira como me abro ao amor. arranco as vestes para o amor, me deito, me entrego, "me sucumbo, me abismo". assim é a poesia toda: erótica.

essa lenga-lenga é só pra dizer que MANHÊÊ, meu livro saiu num dos sites mais massas do Brèsil, quiça do mundo! AZMINA! entre tudo e tanta maravilha, '... um banzo cor de fogo' é incrível! <3

e viva a poema! <3

sábado, 11 de novembro de 2017

petit récit à blanchot, variations - une théorie en transit



"Escreverei livremente, certo de que esta narrativa só diz respeito
 a mim mesmo. Na verdade, ela poderia caber em 
dez palavras. É o que a torna tão medonha"


prosas do suícidio. a morte que não verificamos em obituários:

uma mulher estava a morrer. vivia. morria. em vias de

caminhava para o nada. conservava-o onde a poema pode(rá) aparecer

não estávamos lá. não sabemos oquecomo foi. não podemos esquecer


colagem: Diego Max

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

salmo negro

                     para m.

ninguém viu além a foto do poeta
publicada na revista duzamigus

em festa um milhão de exemplares
grátis pra fazer vibrar até feministas

a mulher recolhida num arrozal em neve
de grão em grão recitava em seu silêncio

eu sei porque o pássaro engaiolado canta

nenhum trovão
nenhum perdão

os sinos das catedrais continuam
a badalar todo dia à hora do ângelus

25 horas de festa

o mundo condecorava o grande poeta
quando mais uma mulher morria




sábado, 21 de outubro de 2017

no esquerda diário


Gabriela Farrabrás escreve no esquerdadiário que "Nina usa umas palavras bonitas que ninguém mais coloca nas poemas [...] As palavras que Nina Rizzi usa e a sua poema são deliciosas, tão deliciosas quanto lamber os beiços e todo o resto da fruta preferida que tu come até os fiapos grudados na semente. São tão deliciosas as palavras que Nina escolhe que queremos tirá-las da poema e sair usando em todos os lugares."

a verdade é que escrever sobre poemas também é uma poema. e eu fico todatoda ancha quando uma mulher me escreve coisa bonita poema <3

vê se num é! continue a ler aqui!

sábado, 7 de outubro de 2017

sereia no copo d’água


leio ‘changing diapers’
cada verso me detém tua visão bebê nadador
– nadadora? nunca terá um sexo que te definha
o índio geronimo me aparece enquanto agonizo tua visão antes da queda

por que voa, tupã?
pra onde quer ir tão fundo n’água
se meu corpo te prende todo líquido?

voaríamos muito além essa cidade submersa
casinhas com jabuticabeiras, bancos cimentados
galinhas que ciscam a generosidade e nos dão seus filhos-ovos

te dei meus melhores ovários
- o melhor é o desejo, essa vontade e potência

me foge água, sangre
pedaços por entre as pernas
essa dor mais dilacerante que o parto da tua irmã

nada por entre os meus fundos num rasante até o fundo da privada
tão longe parece o esgoto e visto daqui em nada parece uma roseira
meus olhos são seu líquido amniótico
seu mergulho que me dói o corpo torna real o dilaceramento que brota
do coração. rasga o ventre da tua mãe, tupã!
rasga esse corpo ex-prenhe que te prende!

“ausência de batimentos cardíacos”
o que faz teu coração que não bate
e me bate, me bate?

ponho as mãos no coração
só posso escutar o naufrágio correndo pelos olhos
- escuta! minhas pernas bambas te esperam

te vejo o mergulho, bebê translúcido-encarnado
tem o tamanho da palma da minha mão mais bonita
teus braços e pernas incompletos dão forma
ao último painel do jardim das delícias
se fecho o tríptico o mundo se me fecha
fecho os olhos
choro tão alto a convulsão
mãe no copo d’água

afundo a mão no sangue
minha vagina dói tanto
- oxalá pudesse conceber a poema mais feliz de se dizer boceta
te afundo a mão no sangue
até as mãos o todo sangre
bebê na palma da minha mão mais bonita
te mergulho nessas lágrimas o copo mais cheio

não te dou a vida
também me a perco
os peitos se me derramam
ardo, rasgo a noite, atravesso o dia
e você é o pássaro que me foge o corpo-jaula
eu-jaula não me converto pássaro
abro a boca

tupã. tupã. tupã.

por que me voa se tenho os pés pegados na terra árida?
por que me voa se a jaula se me fecha?
ardo, rasgo a noite, atravesso o dia
e deliro que frutos muito amargos se misturam às minhas vísceras em maus-augúrios
abro a boca

tupã. tupã. tupã.

metade de mim morre quando homédico me diz aborto
metade de mim morre com tua visão de mergulhador da privada

e voa, voa pássaro coração-de-pedra. nada desse corp’água
nada mais que até o fundo
nada mais que longe das crianças que sonham leites
nada mais que ao largo da palavra mãe

você me deixa. você me deixa. você me deixa.

o delírio me cobre os olhos
estou dormindo?
não temos a casinha, as jabuticabeiras, as cabrinhas

não te seguro mais
mergulha e voa até o fim
nada mais que até o fundo
desaparece o corpo, eu também sou essa dissolução
a sombra da tua sombra

a grande mãe da noite vem me visitar
estou dormindo, mãe?
que posso ser agora se não posso te ser a mãe?
a mãe imensa abre a boca da noite
é um copo
eu sou sua mulher

sereia no copo d’água
*

[publicado originalmente no Mulheres que Escrevem]

reprodução de desenho de rupi kaur

domingo, 1 de outubro de 2017

]olhando o jardim pelo buraco da fechadura[


. mabel
biscoitos doces
estalando na língua

. mabel
textura
lisura y esponja

. mabel
a mochila sempre pronta
2º capítulo no país das maravilhas

. mabel
o verde que já é seco
a rosa que já não é rosa

]imensidão . mangueira[

                    um rasgo na memória
                    um rasgo seu nome lábio
                    um rasgo meus pés que afundam

. mabel . mabel . mabel
teu nome se transfigura
. ma belle
  
me in be
. mabel . mabel . mabel
. maybe

          ]a língualheia que já não é minha[



segunda-feira, 25 de setembro de 2017

ALEJANDRA PIZARNIK: ÁRBOL DE DIANA/ ÁRVORE DE DIANA

23

una mirada desde la alcantarilla puede ser una visión del mundo

la rebelión consiste en mirar una rosa hasta pulverizarse los ojos


                    23

uma olhada através do esgoto
pode ser uma visão do mundo

a rebelião consiste em olhar uma rosa até pulverizar os olhos


Está no ar:
 ÁRBOL DE DIANA 
ÁRVORE DE DIANA
de Alejandra Pizarnik
tradução de Nina Rizzi

Publicado pela primeira vez em 1962, Árbol de Diana tem nesta tradução uma lembrança dos 55 anos da obra e dos 45 anos da morte de Alejandra Pizarnik. É ainda uma homenagem, a todo silêncio que também é ruído. Aos poetas desconhecidos e às tribos e gentes arrasadas, aos que não têm uma língua, às crianças, aos animais, à poesia – a rapina não triunfará.

[Depois de sete anos debruçada na obra toda da autora (poesia, prosa, ensaio tradução), dormindo com ela, viajando com ela, conhecendo y abraçando sua família e amigos, escrevendo, reescrevendo y borrando, amando y amando... depois de todo imbróglio editorial, cá nós na alegria da pirataria!]

A POESIA VIVE! 'COMPARTILHAR É TÃO DOCE!

ISTO É UM POEMÁRIO E UMA TRADUÇÃO LIVRES!
Você pode: Compartilhar - copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato;
Adaptar — remixar, transformar, e criar a partir da obra para quaisquer fins, desde que não sejam comerciais. 
Tiragem de tanto quantos exemplares sejam lidos. 
Você pode imprimir, numerar, fazer colagem, pintar e fazer bambulim; rabiscar e dar de presente. 


>> Leia na rede em formato livro com barulhinhos de páginas e inventando seu próprio cheio aqui no CALAMÉO!

Baixe o arquivo em pdf pra ler offline & on the rocks aqui no 4shared!

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

na rede: letras pretas + à procura da poesia



" duração do deserto como um livro que resgata a dimensão mais essencial da poiesis, o que lança luz sobre a diversidade formal perceptível na obra. Nessa leitura, é significativo que o (lírico) texto prefacial se encerre com um dístico que menciona “esse desejo tão puro de uma delicadeza terrível, / um silêncio que se abra no poema” – versos que conjugam elementos fundamentais da produção literária de Nina Rizzi: o desejo, o silêncio e a consciência metapoética, conceitos que forçosamente ressurgirão ao longo desta resenha."

>> Henrique Marques Samyn escreve sobre a 'A Duração do Deserto', em O Resgate da poiesis. Leia o texto completo no Letras Pretas.



"podemos avançar nas entranhas desse livro. A Nina Rizzi, assim como sua xará, Nina Simone, sente o jazz do ritmo e do som de suas palavras – de modo que recomendo a leitura em voz alta desse livro [...] Esse livro vai funcionar melhor para as pessoas partidas. Sim, aquelas pessoas saudosas de amores, pessoas perdidas no meio da cidade grande, cheia de polícia, violência, mas também cheia de poesia e possibilidades de prazeres.

>> Talles Azigon escreve sobre 'quando vieres ver um banzo cor de fogo', em À procura da poesia. Leia o texto completo no Leituras da Bel/ Jornal O Povo.


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

leituras íntimas - quando vieres ver um banzo cor de fogo

Em lugar de orelha
Por Tom Jones

Nina Rizzi não é uma poeta de fácil definição, aliás, nenhum deles é.  

Como a própria linguagem, os poetas não são de fácil domínio. Quando se acreditamos entendê-los, na verdade, estamos perdidos. Compreender um poeta é perder-se na imensidão da possibilidade. Nina é daquele tipo de artista que sempre te deixa querendo mais e que sempre te surpreende: é ácida, é doce, é bem humorada, é melancólica, é política e é romântica.

__ Tom, vou publicar meu próximo livro.
__**) Qual a proposta desse novo livro?
__ É o meu primeiro livro de amor... Nunca tinha escrito um livro de amor.
__ Para mim tudo o que você escreve é meu amor.

Esta orelha, propositalmente consciente de ser orelha, quer ouvir cada signo, cada verso, cada estrofe, cada poema para senti-lo. Não é orelha de um livro, é minha orelha a ouvir a poeta.

 Invejo m.

m. é daquelas musas sortudas para quem se escreve coisas lindas, coisas ímpares, coisas obsenas. Sim, obsenas, pois o amor também deve ser obseno, e assim, delicioso. Por outro lado, m. não tem sorte de ser uma fantasma, pois é etérea demais para sentir, para experimentar tal delícia, a delícia de Nina, o amor de Nina que ama na poesia.

O amor em Nina Rizzi é Ellênico.
Um amor que não pode haver no silêncio,
Nem na doçura,
pois não é doce,
tampouco amargo,
mas agreste.

__ Nina, cuide do seu coração!
__ Ainn! Agora só quero escrever pra você! Seus poemas são mais lindos, são melhores.
__ Você me emociona assim. Prefiro o banzo, um banzo cor de fogo. Fico pensando no leitor do banzo. O que acontece quando for vê-lo? Queima-se. Não o vê apenas. Pois ao vê-lo não é mais o mesmo. Quando vieres ver um banzo cor de fogo arde nos olhos, no coração, na alma. E assim, arrebata, é um livro de Nina Rizzi. Espere amor, mas não singeleza. Espere um amor tatuagem , bonito, mas dolorido. Não há contentamento. É inquieto. Nina quer a sorte de um amor intranquilo. Assim também seus leitores

... querem amar. Mas querem doer.

Querem ser m.
***